A Cabelte iniciou a fabricação de cabos de alta tensão (AT) em 2006, na sequência de um projecto que envolveu a aquisição de uma linha de isolamento pelo processo de reticulação por via seca (“dry curing”) e a realização de um conjunto de fabricos e ensaios, visando a homologação dos produtos fabricados por esse processo.
Paralelamente, foram reforçadas as competências técnicas internas, abrangendo as várias áreas habitualmente presentes em projectos de AT, desde a definição e dimensionamento dos cabos, até à sua instalação.
Na 1ª fase deste projecto, foram contemplados os cabos até 60 kV, fabricados de acordo com as principais normas nacionais e internacionais e, também especificações próprias de clientes ligados aos projectos de instalações para AT.
Está nesta altura em preparação a 2ª fase do projecto que irá contemplar a produção dos cabos até 132 kV.
Caracterização genérica
Nos cabos de energia de AT mais comuns é possível identificar 4 partes constituintes com funcionalidades distintas:
- Os condutores que asseguram a transmissão da energia eléctrica,
- Os revestimentos isolantes e semicondutores interno e externo, aplicados por um processo de extrusão simultânea, que garantem o adequado nível de segurança eléctrica, para as tensões de serviço especificadas,
- Os ecrãs metálicos para escoamento das correntes de defeito, conformação do campo eléctrico e, em certos tipos de cabos, para protecção mecânica complementar e com funções de estanquidade,
- Os revestimentos adequados à protecção externa dos cabos, tendo em consideração, sobretudo, as condições de instalação.
Os materiais mais comuns usados nos condutores são o cobre e o alumínio pelos elevados valores de condutividade que apresentam e pela facilidade do seu processamento.
A nível de materiais isolantes, o mais utilizado actualmente é o polietileno reticulado (XLPE), pelas suas características intrínsecas, pela facilidade de processamento e pelo facto de conduzir, na generalidade das situações, a menores custos globais. Em certas aplicações especiais, são também usados compostos de borracha de etileno-propileno (EPR e HEPR).
Para protecção externa dos cabos são, habitualmente, usadas bainhas de materiais poliméricos e, nos casos em que se pretenda uma maior protecção mecânica, reforça-se com armaduras de fios ou fitas metálicas.
Nas situações em que se pretenda realizar o ensaio de verificação da integridade eléctrica da bainha exterior após instalação, aplica-se sobre esta uma fina camada semicondutora.
É habitual, nesta gama de produtos, a existência de requisitos de estanquidade, o que é conseguido com a adopção de soluções construtivas especiais a nível dos diversos componentes, de forma a bloquear a propagação longitudinal e radial da água que contacte com os cabos durante ou após a sua instalação.
Adicionalmente, poderão ser contemplados requisitos técnicos complementares.